O SONHO

Não sei se ansiedade é a palavra certa para justificar as noites mal dormidas; talvez não seja só ela, solitária, e sim um misto de sentimentos típicos de quem está vivendo uma aventura para ser lembrada por muito tempo.

Em 2014 resolvi deixar para trás uma série de conceitos e seguranças para viver algo que mudaria minha vida e faria parte da minha história para sempre.

Após dois anos de reformas, feitas a quatro mãos, por mim e por meu pai, eu e ele partimos em nosso fusca de 1984 rumo ao desconhecido, sem destino. Na época, fomos chamados de loucos! Mas, para muitos éramos mesmo corajosos.

Um portal de notícias chegou a nos definir como “aqueles que usavam o coração como gps”. Eu não seria tão dramático, talvez só mais prático, e diria que somos aqueles que estão livres, vivendo e fazendo exatamente o que querem, indo onde querem, no momento da decisão.

Uma, duas, três, nove, dezesseis, vinte e sete… Com o passar dos dias, começaram a faltar dedos para contar as cidades que visitávamos. Faltavam ainda mais dedos pra lembrar a quantidade de pessoas e histórias de vida incríveis que conhecíamos e palavras para expressar a gratidão pelo carinho com que éramos recebidos em cada vilarejo.

Eu e meu pai fomos ficando cada vez mais ricos. Um tipo de riqueza, porém, que não se conta com cédulas de dinheiro e nem se guarda em um cofre e sim na mente e no coração.

Quando percebemos, já tínhamos cruzado a fronteira do Brasil e estávamos em uma região pouco conhecida do interior do Uruguai. A história que escrevíamos já não era só nossa e do nosso fusca, mas também dos milhares de amigos, não seguidores, que em poucas semanas começaram a nos acompanhar nas redes sociais.

Desde 2014, percorrendo novas estradas, percebemos que quem passa não é o tempo: somos nós. O tempo sempre estará ali, esperando uma nova aventura recomeçar para novas histórias serem contadas.

Como diz nosso amigo Érico Hiller sobre o motivo das viagens:

“No entanto procuro não me deixar abater pelo desespero e pela dor que presencio ao meu redor. E tento não ceder à revolta e a raiva que muitas vezes, confesso, também já senti.

Primeiro, para eu continuar a minha jornada de tentar compreender melhor o mundo.

Segundo, para semear a esperança, a boa atitude, acreditando que compartilhar e contar histórias não é apenas informar, é aliviar, acolher a alma”